Um dia éramos perdidos, estávamos no vale da sombra da morte, aos nossos olhos eram ocultos a verdade de Deus, e nosso coração tendia deliberadamente aos prazeres da carne. Quando conhecemos Cristo, novas criaturas nos tornamos, procuramos a via da salvação, um caminho estreito de conhecimento da verdade de Deus e da nossa identidade de filhos de Deus. 

Em João, 8 Jesus encontra uma mulher que ia ser apedrejada, Ele intervém e todos aqueles que estavam acusando ela foram se retirando, começando dos mais velhos,  “10.Então, ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: “Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?”. 11.Res­pondeu ela: “Ninguém, Senhor”. Disse-lhe então Jesus: “Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar”.” 

Se ninguém te condenou, nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar, disse Jesus, essa é a mensagem que temos que tomar para a vida em sociedade, acusamos os outros pois vemos o nosso próprio pecado a refletir no outro, mas ao invés de olhar para dentro e agirmos como Deus nos pede, segundo as bem aventuranças, agimos de forma totalmente contrária, partimos do ponto em que atacar é a melhor defesa, assim nos escondemos atrás de um farisaísmo escondido com teor de santidade.

No Catecismo da Igreja Católica, no numero 1848, o catecismo faz menção a fala de São Paulo e trás uma sublime explicação sobre a realidade do pecado com a graça: 

“«Onde abundou o pecado, superabundou a graça» (Rm 5, 20). Mas para realizar a sua obra, a graça tem de pôr a descoberto o pecado, para converter o nosso coração e nos obter «a justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor» (Rm 5, 21). Como um médico que examina a chaga antes de lhe aplicar o penso, Deus, pela sua Palavra e pelo seu Espírito, projecta uma luz viva sobre o pecado:

«A conversão requer o reconhecimento do pecado. Contém em si mesma o juízo interior da consciência. Pode ver-se nela a prova da acção do Espírito de verdade no mais íntimo do homem. Torna-se, ao mesmo tempo, o princípio dum novo dom da graça e do amor: “Recebei o Espírito Santo”. Assim, neste “convencer quanto ao pecado”. descobrimos um duplo dom: o dom da verdade da consciência e o dom da certeza da redenção. O Espírito da verdade é o Consolador»”

Pelo Espírito de Deus ele projeta uma luz viva sobre nosso pecado, ele ilumina e esclarece a nossa consciência sobre nossos erros e após essa metanoia nova criatura se tornamos, e se o próprio Deus nos configura em nova criatura porque homens ainda ficam nos dês-configurando à retratos de nossa vida velha? Porque ainda somos subjugados segundo algo que já não faz parte de nossa verdadeira essência? 

Quando o próprio Deus nos reconfigura a sua imagem e semelhança, nos purificando, gerando profunda metanoia em nosso ser, soprando seu espirito sobre nós, gerando o dom da verdade da consciência e da certeza da redenção Ele mesmo nos consola, o próprio consolador, Ele nos transfigura em nova criatura e a esse evento nós devemos tomar como a verdade salvadora de nossa vida. A ação de Deus, um Deus que ama, que é próximo e que gera vida em abundância em nós.

Assim, se ainda somos subjugados ao que fomos um dia, necessitamos pedir ao mesmo espirito que sopre sobre estes quais ainda se fecham a verdade de Deus sob a realidade daquilo que Ele um dia o fez em nossa vida.  Precisamos nos apegar apenas a verdade de Deus, que liberta  e necessitamos agir segundo os ensinamentos de Jesus, pois  de facto, Deus colocou-nos no mundo para O conhecermos, servirmos e amarmos, e assim chegarmos ao paraíso. A bem-aventurança faz-nos participantes da natureza divina (1 Pe 1, 4) e da vida eterna. Com ela, o homem entra na glória de Cristo e no gozo da vida trinitária. (CIC 1721)”

“«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus. 

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a tema.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

Bem-aventurados os que promovem a paz. porque serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos céus.

Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal de vós. Alegrai-vos e exultai, pois é grande nos céus a vossa recompensa» (Mt 5, 3-12).”

Que nós possamos diminuir, para que Ele cresça e resplandeça em nossa vida.

Continuemos orando sem sessar pedindo ao Paraclito que nos guie e ilumine em todos os momentos de nossa vida, na certeza daquilo que o próprio Deus já fez em nossa vida e na esperança daquilo que ele ainda o fará.